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21 de abril de 2010

Poesia: Brasília


BRASÍLIA

(Por Lúcia Helena Galvão)


Cidade bela,

tão ampla em teus horizontes...

A tantos sonhos

erguestes pontes...

A tanta vida

foste alvorada...

Cidade alada,

braços alados, sempre tão abertos,

teus verdes espaços,

Tal liberdade dás aos que os seus sonhos

embalam em teus braços,

pois que tu mesma de um sonho nascestes,

cidade celeste...

de céu tão amplo em possibilidades,

tão propensa à criação,

a soltar pipas e a imaginação

e a extasiar-se ante a beleza desse teu poente...

Cidade ardente,

terra vermelha, coroada em arcos por um céu enorme...

Os teus ipês despertam em delírio enquanto a terra dorme,

e tuas mãos-cerrado brindam ao céu em misteriosos mudras,

em silencioso e expressivo culto à tua liberdade,

simples cidade,

singelos riscos, geoglifo aberto, mensagem ao celeste...

Se aqui nascestes,

padecerás de estranhas asfixia em qualquer outra terra,

pois que nenhuma ousa dar aos filhos tanto ar e espaço...

Só teu regaço,

e a frustração de jamais estreitar-te em apertado abraço,

pois que tu és, por natureza, avessa a estreitos limites,

vivo convite

a alçar vôo sobre a terra rubra rumo a um céu em brasas,

teus filhos também possuem asas,

teu céu é meta permanente.

Teu seco ar dá leveza

e torna afeito ao Fogo o peito

de teus nativos,

altivos filhos de uma terra

com vocação de fênix.

E a cor que tanto amas,

com que tinges céus e terra,

também tinge o que há em nosso peito,

uma vez que teus traços herdamos,

uma vez que te amamos, Brasília.

7 de março de 2010

Poesia: Destino Certo


Destino Certo
(Luiz Calcagno)

O sol encontra a noite,
No último segundo,
Ele quer beijar a Lua,
Em extase profundo.

Em plena agonia,
A Lua que se põe,
Vê nascer heróico Sol,
Remoto leste que se opõe.

E enquanto ele se parte,
E se vai contra a vontade,
Ela sente pleno em peito,
Dor de fogo que lhe invade.

Ele pinta o horizonte,
o crepúsculo da amada,
E deixa a linha que divide,
A distância encantada.

Ela sempre se transmuta,
Nessa dança do destino,
Cheia, curva, alva, negra,
Ela some em desatino.

Ai do Sol viver a Lua,
Pobre Lua que quer Sol,
Dois amantes, um umbral,
Se fitando em caracol.

Corpo e alma, eternamente,
Esse duplo é admirável,
Se fizessem minha'vontade:
Beijo pleno e incansável,

Nasceria então o filho,
Que o destino desejou.
O seu leito seria a nuvem,
Fecunda estrela do amor.


Retirado do blog Casa das Mentiras.

22 de outubro de 2009

Poema: A terra mágica


A TERRA MÁGICA
(Hilton Rafael)

A terra mágica se abre
Aos eternos aventureiros

Sua beleza atinge a lua de prata
Que derrama sobre o mar
Seus raios de cristal

Mar azul, mar verde. Vermelho
Como a chama que eu trago
Em meu coração flamejante

Como as faíscas que brotam
Das espadas que se chocam

Os cavalos tremem o chão
Os exércitos confrontam-se

Mas apenas o herói
Com a coragem em seu coração
Pode enfrentar o majestoso dragão
Pode cortá-lo com sua espada dourada
Pode vencê-lo com a vontade
Que carrega em suas mãos.

Seus companheiros o curam
O resguardam.
Eles são seu escudo, sua armadura.
Mais que isso
Eles chegam a ser parte
Dele mesmo.

Eles chegam a ser armas
Em sua mão.
Eles podem até morrer,
Mas nunca em vão.

Morte, que caminha ao teu lado
Oh! Aventureiro!
Ela és tua companheira
Ela estás contigo por todo o tempo
Por toda a eternidade.
Pode vencê-la?
Não.
E tu podes morrer?
Também não.

Então a ti, só resta um único caminho
Tu irás lutar...
Eternamente.

Na terra mágica dos duendes
Dos elfos, e dos anões.
Dos gigantes, dos dragões.
Das fadas, dos príncipes, dos reis...
Das princesas.

A esta terra por inteira
Tu irás atravessar
Oh! Herói!
Oh! Aventureiro!
Teu mestre te ensinou!

Carrega contigo a vontade flamejante,
Em teu coração.
Carrega teus companheiros do teu lado.
Carrega a tua espada
Com as duas mãos.

Tu que cruzas a rosa dos ventos
Que atravessa terras e mares
E não por satisfeito,
Vai à lua.

Tu que brindas a amizade,
Ao amor, a coragem,
A vida e a morte.
Subjuga-a. Porém nunca a subestime.

Porque mesmo de tu
Tudo podes ser tirado
Porque mesmo tu
Poderás ser derrotado.

Mas apenas se esquecer...
Que em teu coração
Resta um sentimento
Impenetrável
Que em teu coração
Dorme uma lembrança
Inabalável

Tu herói!
Que sempre há de vencer!
Vivo ou morto!
Nunca te esqueças!

A fantasia final
Há de prevalecer.


Visite o blog do autor deste poema: http://nossocastelodecartas.blogspot.com

30 de setembro de 2009

Poesia: Primavera

Olá, caros amigos!

A arte faz parte da vida do filósofo. Afinal de contas, é por meio dela que podemos contemplar o arquétipo da beleza. Mas a arte não é qualquer coisa, mas uma forma de nos ligar ao que é belo em todo o Universo, ou seja, algo que eleva nossa cosnciência no que há de sagrado no universo, e que serve para qualquer pessoa, em qualquer lugar.

E falando em arte, nada melhor do que demonstrá-la por meio de uma bela poesia. E melhor ainda, homenageando a estação da primavera que acaba de se inciar neste ano.

A poetisa é Lúcia Helena Galvão. Vamos ler o que ela escreveu para nós?




Primavera

(Lúcia Helena Galvão)

Na distante vez primeira,
depois de tão árdua espera,
que trouxeste a mim a vida,
ruidosa Primavera,
calorosa, colorida,
florida de tantas quimeras,
recebi-te, comovida,
explosão de cor e vida,
enchestes de sons meus ouvidos
e ouvi de tua voz quem tu eras.

Com tuas cores já vestida,
abriu-se, ante mim, outra era.
Com tua força, fiz-me inteira,
de fibra e de fé verdadeiras
eu fui, por tua Luz, investida.

Lancei minha vida em teus braços;
embalaste os meus sonhos,
sopraste, em meu coração,
a energia dos inícios,
propulsão que vence espaços,
razão que faz plena a alma,
não de ânsia aos doces frutos,
mas de amor e sacrifício.

Mas sabes da cíclica noite,
mas sabes que chega o inverno.
Já sabes que oscilam os passos
que trilham o caminho eterno.
Nem sempre a força é tamanha,
nem sempre é ativa a memória.
Às vezes, a noite é estranha,
sem cores, sem luzes, sem glória.

Mas eis que a tua energia
redime e resgata, qual ponte.
É dia, e eis que teu Raio Verde
ressurge, cruzando o horizonte.

Dou graças ao Ser que te envia
por tenacidade tamanha,
pois, com tua simples presença,
renova de cor e harmonia
e invade de Luz a cidade
que erguemos, no alto da montanha.

20 de setembro de 2009

Alquimia Interior


Alquimia interior
(Luiz Calcagno)

O chumbo verte-se em ouro puro,
O amante se transforma na coisa amada
O escuro torna-se então tão claro,
E o claro toma forma no escuro.

Quando há noite tão escura para os Deuses,
E há dia, dia claro para os homens,
Abro os olhos para o mundo, fico cego,
Não enxergo os mistérios de Eleuses.

Oh, Mestre que acende minha chama,
Anubis sombrio que me guia pela noite,
Santo homem, me desperta, me inflama,

A lutar com nosso gancho e nosso açoite,
Me ensina a escalar essa montanha,
Me transmuta nessa voz que se esconde.

28 de maio de 2009

Poema: Eros e Psique


EROS E PSIQUE

Fernando Pessoa

Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,
E, inda tonto do que houvera,

À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

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