Pesquisar neste blog

Mostrando postagens com marcador Sócrates entrevista. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Sócrates entrevista. Mostrar todas as postagens

26 de outubro de 2009

Sócrates entrevista Kant


Olá, meus amigos! Bem-vindos a mais um “Sócrates entrevista”. Hoje, tenho o imenso orgulho de entrevistar um dos filósofos modernos mais conhecidos. É Immanuel Kant, que falará para nós um pouco de suas ideias.

Boa tarde, Kant. Como me disseram, você chegou pontualmente no horário marcado. Você é sempre assim mesmo?

Boa tarde, Sócrates. Esta é uma coisa que realmente chama a atenção das pessoas: o fato de eu não ter o costume de me atrasar. Mas há um motivo para eu levar a vida assim, de forma tão regrada. Acredito que há um valor moral nisto; veja bem, o sol se atrasa algum dia para nascer? Ele pode pensar em ficar um pouco mais em uma parte do mundo porque a vista ali é mais bonita? Não, se isso acontecesse, todo o Sistema Solar poderia entrar em colapso. Todos podem esperar o movimento dele, pois ele segue uma série de regras, ou melhor, leis. Assim também acredito que o homem, sendo parte integrante da natureza, deve seguir várias leis, como por exemplo, estar no horário esperado por ele, pois uma parte da sociedade ou alguém o está esperando.

Poxa, Kant, colocado desta forma as suas ideias parecem ser muito mais práticas do que sugere a alcunha de crítico que o seu pensamento recebeu...

Infelizmente, as coisas passaram assim para as pessoas. Preferiria que minhas ideias fossem mais associadas à racionalização que ao criticismo. De fato, ao se lançar ao uso da razão, muita coisa necessita ser revista; pensamentos e ideias formadas por um lado emocional ou supersticioso devem ser analisados, ante as faculdades da razão; então, isso faz com que muitas dentre as ideias vigentes sejam desconstruídas, dando assim uma impressão de que o mais importante do meu pensamento seja a crítica. Mas o fato é que o cerne daquilo que eu quis mostrar ao mundo é o uso da razão para nortear todas as nossas ações.

Certo. E esse tema da razão é realmente bem abordado em seus escritos. Particularmente, em Fundamentação da Metafísica dos Costumes, você liga a idéia da razão à da boa vontade, que você afirma ser a única coisa que pode ser realmente boa. Você realmente acha que o amor ou a religiosidade, por exemplo, podem não ser boas?

Veja bem, o que nos difere, enquanto seres humanos, dos animais, é a razão. Ambos temos instintos, mas apenas os homens podem fazer uso da razão. Como podemos observar, a natureza não faz coisas aleatoriamente; todas as coisas tem um motivo. Veja as penas do pavão: parecem ser apenas um enfeite, mas elas são totalmente necessárias nas disputas de acasalamento destes animais. Assim, para nós, seres humanos, a razão deve ser o guia de todas as ações, pois se elas forem tomadas guiadas pelos instintos estaremos sendo animais e não homens. As ações tomadas de acordo com esse guia da razão são ditas ações de boa vontade, são ações que são feitas pensando de uma forma racional, excluindo o gostar ou não-gostar. Dessa forma, realmente acredito que um amor instintivo ou uma religiosidade supersticiosa não podem, de forma alguma, serem bons. Na verdade, essas formas de sentimento costumam ser bastante destrutivos. Por outro lado, um amor e uma religiosidade racional tendem a tornar o indivíduo mais livre e a ter relações mais construtivas.

Você falou, então, que podem haver dois tipos distintos de amor ou religiosidade... como é isso?

Um bom conceito para compreender isso é entender sobre os imperativos. Imperativo é aquilo que lhe motiva a fazer algo. Assim, geralmente, as nossa ações são decorrentes de um imperativo categórico ou hipotético. O hipotético se refere a toda ação que é feita sob uma hipótese, por exemplo, eu trabalho sob a hipótese de ganhar o meu salário no final do mês, eu sou gentil com uma pessoa sob a hipótese dessa pessoa me favorecer de alguma forma. Já o outro imperativo, o categórico, é relativo às ações feitas por respeito a uma lei universal, que visa o bem estar não só de toda a humanidade mas de todas as coisas. Assim uma pessoa pode ir trabalhar todos os dias categoricamente porque é o correto, está dentro da Lei, trabalhar para sustentar as necessidades humanas ou é gentil com os demais, categoricamente, porque isso é correto, esta dentro da lei da convivência. Assim, nós podemos ter um amor ou uma religiosidade guiados por um imperativo categórico ou hipotético.

Hum... Pode falar um pouco mais sobre essa Lei Universal que você citou?

Claro. Essa Lei Universal é o que legitima um ato como dentro da moral. Para averiguar se determinado ato está dentro da moralidade devemos levá-lo à condição de Lei Universal, ou seja, que tal ato fosse praticado por todos os homens como uma lei. Assim, se isso é possível e proveitoso, se essa pretensa Lei não acaba por se anular a si própria ou a gerar caos generalizado, então é um ato dentro da Lei Universal, do contrário se trata de um ato imoral, fora da Lei. Por exemplo, se me perguntasse, segundo a razão: seria moral mentir para sair de um problema? Analisando sob a ótica da Lei Universal, se todos mentissem para sair de um problema, todos os outros teriam ciência disto e ninguém acreditaria em uma pessoa com problemas; assim, de nada adiantaria mentir para sair do problema, pois ninguém acreditaria; vemos assim que essa Lei se anula. Porém, se pensarmos se seria moral pagar as dívidas contraídas de qualquer espécie, e levarmos isso à categoria de Lei Universal, veremos que isto tornaria a vida até mais fácil; todos os que pudessem emprestariam aos demais, sem nem mesmo a necessidade de fiadores e garantias. Logo, pagar as dívidas contraídas é um ato moral.

Então para que tenhamos apenas ações morais devemos ficar presos à Lei Universal, certo?

De forma alguma. Na verdade, a única liberdade que o homem pode ter é respeitar a Lei Universal. Ficar preso tem um sentido pejorativo. Respeitar é amar tão profundamente que se quer fazer parte. Assim, o homem livre é aquele que ama tão profundamente a Lei Universal que a pratica para ser parte dela. Todas as ações que são tomadas fora disso não pertencem ao homem como ser humano e acabam por torná-lo escravo ou dos próprios instintos ou das circunstâncias; enquanto que o homem, que age por respeito à Lei, decidiu seu próprio cominho e trilhará aconteça o que acontecer. Assim é preso o que não observa a Lei Universal; e os que a observam são os verdadeiros seres humanos livres.

Muito interessante. Muito obrigado, Herr Kant. Agradeço imensamente em nome de toda a filosofia a todas as suas contribuições. Quer deixar algumas palavras finais para os que nos acompanham?

Primeiramente, sou eu quem agradece a divulgação dessas ideias para todos os que praticam a filosofia. Danke sehr! Aos que se interessaram pelos temas recomendo ler os meus escritos, onde aprofundo muito mais essas ideias. Podem começar com “Fundamentação da Metafísica dos Costumes” e passar à “Crítica da Razão Pura”. Não digo que é fácil mas posso garantir que é recompensador, filosoficamente falando.


Aproveite para baixar os e-books dos livros do meu amigo Kant:
Fundamentação da Metafísica dos Costumes
Crítica da Razão Pura
Crítica da Razão Prática

5 de maio de 2009

Sócrates entrevista: Confúcio


Olá, meus amigos filósofos!

Estou aqui hoje para entrevistar mais um convidado super-especial do mundo da filosofia! Vou dar uma dica e vamos ver se vocês adivinham. Ele tem os olhinhos puxados, bigode comprido e troca os “eles”pelos “erres” e não é o Cebolinha! Brincadeira. E um dos grandes sábios da China. Estamos aqui com o grande Confúcio! Fale um pouco de você para nós, caro colega.


Olá, pessoal! Meu nome é Confúcio, tudo bem com vocês? Vivi entre os anos 551 e 479 antes de Cristo, segundo o calendário Gregoriano que vocês usam. Sou do reino de Lu, atual Shantung, vim de uma de família nobre, mas nasci em circunstâncias bastante humildes. Naquele período, o domínio imperial estava em declínio. Minha filosofia se baseia no fato de que para se ter responsabilidade moral eu acredito que o homem deve pensar por si próprio.

E então, Confúcio, vamos começar pelo mais prático, para o pessoal que lê o blog ver que a filosofia é coisa séria. Fale um pouco de como ser uma pessoa mais íntegra.

Todos os dias faço um auto-exame. Pergunto-me três coisas, primeira, no que fiz pelo bem estar do próximo, fiz o meu melhor? Segunda: quando lidei com meus amigos, falhei em ser fiel em minhas palavras? E por último: ensinei algo a alguém que eu nunca tenha experimentado?

Nossa! Três perguntas tão simples e tão profundas...

Caro Sócrates, diga-me, e me digam vocês leitores também, se meu raciocínio está correto. Não é um prazer, uma vez que aprendemos algo, colocá-lo em prática nas horas certas? Não é uma alegria ter amigos que vêm de longe? Não é cavalheiresco não se ofender se os outros falham em apreciar suas habilidades, vocês não acham?

Trabalhamos de modo muito parecido. Também gosto de fazer com que os outros pensem respondendo perguntas, dialogando consigo mesmo e com os demais. Você falou de ser cavalheiresco. Isso é uma coisa que falta muito nos dias de hoje. Pode falar um pouco mais sobre ser cavalheiresco. Isso se estenderia, de alguma forma, para as mulheres também?

Primeiro sobre o ser cavalheiresco, aí vai uma dica: essa pessoa não quer nem uma barriga cheia, nem uma casa confortável; ele é rápido na ação, mas sempre cauteloso no que diz; é ávido por aprender, e sempre se dirige às pessoas virtuosas para receber algum tipo de orientação. É verdade que não existe uma palavra “damesca”, mas me respondam vocês, alguma dessas ações se restringe ao indivíduo do sexo masculino, por acaso?

Surpreendente! E sobre a felicidade, meu caro, o que pode dizer sobre a felicidade par os nossos ávidos leitores?

Muito simples. A felicidade é simples. Parece até engraçado, mas tenho certeza de que vão entender. Ao comer arroz comum e se tomar água, ao utilizar o próprio cotovelo para se apoiar, você encontra a felicidade. Riquezas e status conquistados por meios imorais tem tanto a ver conosco quanto as nuvens que passam.

Já que estamos nos centrando em conduta, vou fazer uma pergunta interessante. Dizem que você não distingue ética e política. Como é isso?

Veja... Ética é a ciência que busca harmonizar o homem, para que possa brotar nele a fonte do bem e da justiça. É como um anel, que não sabemos onde é o começo ou o fim, que une sentimentos e ações, e busca a essência das coisas. A política, por sua vez, pode ser vista como a arte de educar, harmonizar e conduzir os povos, elevando-os de suas satisfações mais básicas até sua realização emocional, mental e espiritual. Por isso não faço distinção. A ordem política é fruto de uma ordem ética.

Uma vez me disseram que devemos pagar uma injúria com uma boa ação. O que você acha disso?

Ora, meu amigo Sócrates, eu concordo. Diga-me com o que, então, pagaríamos uma má ação? Deve-se pagar a injúria com retidão, mas pagá-la sempre com uma boa ação. Não se pode confundir injúria com vingança, como fazemos geralmente.

Sábias palavras! Brinde-nos com um pouco mais de sabedoria oriental para fechar com chave de ouro este nosso papo.

Bem, como tivemos uma conversa bem amparada no âmbito prático, há uma frase no meu livro “Os Analetos” que vai servir tanto para quem está estudando quanto para quem já trabalha. É o seguinte: “devemos nos lembrar que quando um homem, com um cargo oficial, descobre que pode fazer mais do que dar conta dos seus deveres, ele estuda; e quando um estudante descobre que ele pode dar mais do que conta de seus estudos, então ele procura um cargo oficial. Pensem sobre isso.

Muito obrigado, Confúcio, por nos conceder esta entrevista. Fica o convite para que você vá à Atenas também fazer uma visitinha.

Com certeza, Sócrates. Será uma honra. Um abraço a todos os leitores do seu blog “O tal da Filosofia”.

Até a próxima, pessoal!

25 de março de 2009

Sócrates entrevista: Marco Aurélio



Olá, amigos! Hoje trago para nosso blog um convidado muito especial. Vamos bater um papo com Marco Aurélio, o Imperador Filósofo. Para quem nunca ouviu falar nele, Marco Annio Vero, seu nome antes de se tornar Imperador de Roma, nasceu em 26 de abriu de 121, durante o reinado do Imperador Adriano. Seu pai, Annio Vero, foi um nobre romano, e seu avô, de mesmo nome, foi cônsul por três vezes. O pai do então pequeno Marco Annio Vero morreu cedo, e o futuro imperador foi educado pelo avô.

Marco Aurélio... de onde veio esse seu nome, pelo qual você ficou conhecido mundialmente?

Ganhei o nome de Marco Aurélio de meu tio, Aurélio Antônio, que sucedeu o imperador Adriano. Ele me adotou para ser seu sucessor, já que não tinha filhos homens.

Você ficou conhecido como o Imperador Filósofo, e sua filosofia foi baseada no estoicismo. Pode falar mais sobre essa corrente filosófica?

O estoicismo foi fundada por Zenão de Cítio, no século III A.C. Dentre outras coisas, a filosofia estóica acreditava no Universo como um grande ser vivo do qual nós homens somos parte integrante. Quando servimos a essa harmonia, não nos deixando escravizar pelos sentidos e pelas paixões egoístas, alcançamos a sabedoria e a felicidade, que não devem estar presas às circunstâncias. É uma filosofia prática, moral, que sigo à risca, pois nós acreditamos, os estóicos, que a virtude deve ser buscada constantemente, independentemente das circunstâncias.

Você não teve vergonha em dizer, no seu livro Meditações, que um pouco de cada uma de suas conquistas quanto ao caráter vem de parentes e amigos. Pode dar um exemplo?

É verdade. Um nome comum hoje, por causa dos cinemas, foi de um amigo, Máximo. Ele me ensinou muito a respeito foi o meu modelo de autocontrole, firmeza de intenções e de boa disposição. O seu caráter era uma mistura admirável de dignidade e encanto, e todos os deveres inerentes à sua condição eram cumpridos sem alardes. Meu pai também foi exemplo de virilidade sem alardes e meu tutor e avô me incentivou a não recear o trabalho, a ser comedido nos meus desejos, a tratar das minhas próprias necessidades, a meter-me na minha vida, e a nunca dar ouvidos à má língua. Acredito que podemos aprender com todas as pessoas, sejam elas boas ou más, e em todas as situações, desde as mais felizes às mais assustadoras.

Muito bom. A doutrina estóica necessita uma aplicação prática. Você pode dar um exemplo de como ser mais feliz seguindo essa linha de pensamento?

Todo dia é importante repetir: “Hoje vou deparar com a intromissão, a ingratidão, a insolência, a deslealdade, a má-vontade e o egoísmo. Todos devidos à ignorância por parte do ofensor sobre o que é o bem e o mal. Como já percebi a natureza do bem e a sua nobreza, a natureza do mal e a sua mesquinhez, e também a natureza do próprio culpado, que é meu irmão, nenhuma destas coisas me ofende, porque ninguém pode envolver-me naquilo que é degradante.”. Na verdade, acredito que nem eu posso ficar zangado com o meu irmão ou entrar em conflito com ele; porque ele e eu nascemos para trabalhar juntos, como, de um homem, as duas mãos, os dois pés, as duas pálpebras ou os dentes de cima e de baixo. Temos que pensar que criar dificuldades uns aos outros é contra as leis da Natureza. Aconselho também que reflitam: “O que é a irritação, ou a aversão, senão uma forma de criar dificuldades aos outros?”.

Já que você falou sobre uma forma de refletir para ser mais feliz, fale agora sobre um mal.

Para uma alma humana, o maior dos males é tornar-se uma espécie de tumor ou abcesso no universo. Isso porque se deixar levar pelas circunstâncias é sempre uma rebelião contra a Natureza. Outro mal é rejeitar um semelhante ou opor-se-lhe com más intenções, como os homens fazem quando estão zangados. Um terceiro, render-se ao prazer ou à dor. Um quarto, dissimular e mostrar insinceridade ou falsidade em palavras ou em atos. Um quinto, a alma não dirigir os seus atos e esforços para um objetivo determinado, e gastar as suas energias sem qualquer fim e sem o devido pensamento; porque mesmo a mais insignificante das nossas atividades deve ter um fim em vista.

E quando nos arrependemos?

Ora... O arrependimento é um remorso pela perda de uma oportunidade útil. O que é bom é sempre útil, e deve ser preocupação de todo o homem bom.

Mas, às vezes, o arrependimento causa dor. Como lidar com isso?

A dor deve ser um mal, ou para o corpo, e nesse caso deixa que o corpo fale por si, ou então para a alma. Mas no caso da alma pode sempre recusar-se a considerá-la como um mal, e assim conservar os seus céus sem nuvens e a sua tranquilidade imperturbada. Porque não há decisão ou impulso ou movimento de aproximação ou de recuo que não tenha de vir do interior do eu; e para o interior do eu nenhum mal pode abrir caminho à força.

Bom, vamos ficando por aqui... Aprendemos muito hoje com você. Muito obrigado, Marco Aurélio!

Obrigado a você, Sócrates. Saiba que te admiro muito. Até mais e continuem com o meu amigo, o tal da filosofia!!!


OBS: Para conhecer mais sobre os pensamentos do grande filósofo Marco Aurélio, leia Meditações, que está disponível para download gratuito ao lado, na seção E-books.
Related Posts with Thumbnails